Papagaio-charão

Papagaio-charão

O papagaio-charão é uma espécie típica do Brasil e impressiona pelas penas coloridas.

Além disso, a ave habita áreas específicas do país por ter uma dieta exigente, a ponto de fazê-la migrar.

Hoje, a maior ameaça dela é sobreviver à destruição do habitat e ao tráfico.

Quais são as características do papagaio-charão?

Também chamado de papagaio-da-serra ou apenas charão, essa ave é nativa do sul brasileiro, notadamente os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O nome científico, Amazona pretrei, tem origem francesa e tem como referência Amazona, de Floresta Amazônica, e pretei, em homenagem ao artista suíço Paris-Jean Gabriel Prêtre.

O batismo nobre é só o começo.

Esse papagaio também tem outros nomes menos conhecidos, usados de forma regional, como charã e chorão, além de traços únicos, como:

  • penas verde;
  • máscara vermelha;
  • bico com detalhes em laranja.

Essa ave também tem álulas, pequenas asas atrofiadas, que são resquícios de ancestrais menos evoluídos, além de penas em tons azuis na ponta das asas principais.

Porte e idade

O papagaio-charão pode viver até 60 anos, sobretudo em cativeiro.

Outra característica dele é o tamanho, que varia entre 30 e 35 cm.

O peso pode chegar a 300 gramas.

Alimentação

Gosta de comer sementes do pinheiro-do-paraná (pinhão), frutos da árvore de pinho-bravo, além de guabiroba, guabiju, camboatá, murta, jabuticaba e gemas florais de ipê-amarelo.

Essa espécie também gosta de frutos da flora exótica, como cinamomo, pera e nêspera. Entretanto, opta por migrar quando não encontra a comida que deseja.

Disformes

Essa ave tem diferenças sexuais.

Assim, as fêmeas e os machos têm o verde como cor que predomina, mas as penas ao redor dos olhos têm tons vermelhos diversos.

Encontra-se o papagaio-charão com frequência nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Imagem de Projeto Charão.

Qual a distribuição geográfica do papagaio-charão?

Originalmente, quando foi descrita pelo cientista Coenraad Temminck, em 1830, essa espécie era encontrada de São Paulo até a Argentina.

No entanto, isso mudou.

Hoje, é possível encontrar o papagaio-charão nas regiões onde há araucárias e florestas ombrófilas mistas. Dessa forma, estão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Migrações

É considerada a única espécie de papagaio que migra e faz isso em razão da comida. Afinal, essa ave só fixa residência onde há oferta de comida, sobretudo araucárias.

Entre março e julho, ela pode ser encontrada no nordeste do Rio Grande do Sul e no sudoeste de Santa Catarina, principalmente quando as sementes de pinhão amadurecem.

Lar, doce lar

Para se reproduzir, o papagaio-charão prefere fixar morada em florestas do nordeste, centro e sudeste do Rio Grande do Sul. Assim, os ninhos são feitos em áreas de eucalipto.

Quais as principais ameaças para a sobrevivência do papagaio-charão?

Essa espécie sofre risco de extinção e é uma das seis aves mais ameaçadas da lista do Plano de Ação Nacional para a Proteção dos Papagaios.

Entre as causas estão:

A população desse papagaio é monitorada desde 1991 e hoje estima-se que exista apenas 20 mil aves da espécie em situação de liberdade.

Fragmentação

Desde a década de 20, as matas de araucária, principal alimento do papagaio-charão, sofre com o desmatamento para o crescimento urbano.

A devastação de florestas nos habitats de nidação (postura de ovos) dessa espécie também contribui para a escassez dessas aves, que não encontram local seguro para a reprodução.

Contrabando

A beleza do charão também trouxe o deixou vulnerável. Afinal, a espécie é tirada da natureza e vendida como animal doméstico de forma ilegal.

Cruel e lucrativo, esse comércio retira todos os anos muitos ovos e bebês de papagaio-charão dos ninhos para serem enviados para várias partes do mundo.

O charão faz parte do mercado de aves domésticas regularizadas, mas em razão do preço, muitos preferem comprá-las de modo criminoso.

Meio ambiente

As mudanças climáticas trazidas com o impacto das ações humanas afetam de forma direta o habitat desses animais, Afinal, altera os ciclos de reprodução.

Sem estações bem definidas e as mudanças nos ciclos de chuva e sol, o comportamento das aves e a oferta de alimentos são afetados.

Em 2020, por exemplo, o excesso de vento e chuva afetou a polinização das araucárias, o que gerou escassez de pinhão, alimento do papagaio-charão.

Como existe, também, uma grande demanda desse fruto para o mercado interno e externo, essas aves tiveram pouca comida, porque os interesses comerciais se destacaram.

Falta programas e políticas que abordem a produção e consumo sustentável de pinhões para que essa fonte de renda seja bem aproveitada, mas sem faltar para as aves.

Procriação

A espécie coloca apenas de dois a quatro ovos por ano. A incubação dura cerca de 24 dias. Assim, quando ocorre roubo dos ovos, prejudica o ciclo de um ano inteiro.

O tráfico de animais também muda como essa ave se comporta, porque o charão é uma espécie nidícola e permanece um período longo nos ninhos.

A falta de plantio adequado também atrapalha a reprodução dessa espécie. Por isso, as árvores mais velhas que serviriam como ninho estão em péssimas condições.

É vital o cultivo frequente de novas mudas para que as aves tenham locais seguros para pôr seus ovos e cuidar dos bebês até que eles se tornem independentes.

As principais ameaças à espécie são o tráfico de animais e a destruição da natureza. Imagem de Mundo Ecologia.

O papagaio-charão e o turismo

Rara e bela, essa ave é um verdadeiro espetáculo na natureza. Dessa forma, hoje, faz parte do turismo de algumas cidades, como Painel e Urubici, em Santa Catarina.

Nesses locais, sobretudo no mês de abril, a ações voltadas à observação e à fotografia dessa espécie durante períodos de migração.

É um momento tão esperado por pessoas apaixonadas por aves de todo o mundo. Por isso, as prefeituras realizam festivais com programações ricas.

Educação

A presença do papagaio-charão também incentiva ações voltadas à conscientização e à proteção da espécie. Assim, crianças e adultos podem aprender sobre a ave.

Um ponto crucial é alertar a população sobre o risco de extinção dessa espécie e como atitudes, como denunciar, podem fazer a diferença.

Outro alerta feito no período é sobre a preservação do habitat dessas aves. Dessa forma, é vital que todos saibam o impacto do desmatamento, inclusive para pássaros silvestres.

Para prosperar, esse papagaio precisa ter oferta de alimento, um lar seguro e também a proteção da ação de traficantes de animais.

Como as araras, papagaios são visados por criminosos e por pessoas que desejam tutelar espécies exóticas por causa da aparência singular.

Há projetos de preservação do papagaio-charão?

O Projeto Charão existe há cerca de 30 anos e atua de forma assertiva na proteção da espécie, principalmente no Rio Grande do Sul, onde a iniciativa nasceu.

Os esforços desse programa conta com parcerias, como a Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA) de Carazinho e a Universidade de Passo Fundo (UPF).

A união em prol da proteção da espécie já pode ser mensurada em números. Afinal, desde o início do projeto, em 1991, há muitas vitórias.

Dados coletados nos últimos 31 anos apontam que o número de aves que vive em liberdade hoje na região subiu de 2,1 mil para 17 mil.

Fauna e flora

Outro ponto de apoio é aliar a proteção das florestas. Assim, como consequência, ajuda a população do papagaio-charão a se recuperar sozinha.

Isso inclui a preservação das araucárias, que no passado cobriam até 10% de todo o território do Rio Grande do Sul, mas, agora, também enfrenta o risco de desaparecer.

Essa árvore é a responsável por oferecer a fonte principal de alimento para o papagaio-charão. As sementes da araucária são os pinhões.

Voo livre

O mapeamento que o Projeto Charão realizou aponta que até 1980, bandos desta ave viviam no nordeste do Rio Grande do Sul, sobretudo em Muitos Capões.

A ideia inicial era montar uma instalação fixa na região para monitorar as aves que lá ficavam a maior parte do ano por causa da forragem das sementes de araucária.

Esse plano foi frustrado, uma vez que a cobertura florestal reduziu e obrigou essas aves a partirem em busca de alimentação. Por isso, desde de 1990 a dinâmica mudou.

Há 30 anos, o papagaio-charão prefere voar para cidades catarinenses para aproveitar a maturação do pinhão, principalmente Painel, Lages e Urupema.

No restante do ano, a ave se distribui por vários pontos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e se alimenta de diversos frutos e plantas nativas, como gabiroba e canela.

Proteção estendida

Durante a observação desta espécie, os pesquisadores encontram outra ave que também é rara e merece mais atenção e proteção, o papagaio-de-peito-roxo.

Ela compartilha o status crítico de extinção. Dessa forma, agora, também é observada e estudada pelo Projeto Charão desde 2009.

Com ações de conservação, o papagaio-charão pode prosperar no habitat dele. Imagem de Douglas Fischer para o site Fauna e Flora em Extinção.

O que esperar do futuro do papagaio-charão?

A estimativa é que a população da espécie se recupere de forma gradativa. Por isso, as perspectivas são otimistas, mas merecem cuidado.

É vital que toda a população tenha consciência sobre a preservação do habitat dessas aves e as consequências do tráfico de animais.

Por ser uma ave bela, rara e exótica, além de ter o apelo de ser um papagaio, um dos menores do mundo, inclusive, não é incomum o desejo de tê-la em casa.

A tutela de um papagaio-charão não é impossível, mas é crucial buscar criadores legalizados, com autorização dos órgãos reguladores.

Os guardiões dessa espécie devem ter cuidado com a alimentação e clima adaptado para essas aves, mas devem combater, de todas as formas, o contrabando da espécie.

É vital saber a origem e ter todos os documentos sobre a saúde do bicho e situação do criadouro. Não financiar o crime de tráfico ajuda na proteção dessa rara espécie.

Resumo sobre Papagaio-charão

Nome popular: Papagaio-charão ou Red-spectacled Parrot
Nome científico: Amazona pretrei
Espécies: A. pretrei
Tamanho: 30 e 35 cm
Reino: Animalia
Família: Psittacidae
Peso: 300 g
Expectativa de vida: 60 anos
Estado de conservação: Vulnerável

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